No Senado, Galípolo diz que Pix não concorre com cartões
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que o Pix não representa uma ameaça ao mercado de cartões de crédito e que o sistema ajudou a ampliar o acesso da população brasileira aos serviços financeiros. A fala ocorre em meio a ataques do governo estadunidense ao sistema de meios de pagamentos brasileiro.
Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo afirmou que o avanço do Pix contribuiu para a chamada bancarização da população, permitindo que mais brasileiros passassem a acessar produtos financeiros, como cartões de crédito e empréstimos.
Segundo Galípolo, existe uma percepção equivocada de que o sistema de pagamentos instantâneos compete diretamente com os cartões de crédito. Para ele, os dois mecanismos cresceram de forma paralela.
“O Pix incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter cartão de crédito. Pessoas imaginam que tem rivalidade entre o Pix e o cartão de crédito, mas a gente observa que não. Que o cartão de crédito cresceu com a bancarização”, declarou.
Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se tornou o principal meio de pagamento digital do país e acelerou a inclusão financeira de milhões de brasileiros, especialmente entre pessoas sem acesso anterior ao sistema bancário tradicional.
PIX virou alvo de críticas nos Estados Unidos
As declarações do presidente do Banco Central acontecem em meio às críticas do governo dos Estados Unidos ao modelo brasileiro de pagamentos instantâneos.
Em julho de 2025, o Pix entrou na mira de uma investigação comercial aberta pela gestão do presidente Donald Trump. O foco da apuração era o suposto favorecimento estatal ao sistema desenvolvido pelo Banco Central.
Relatório divulgado pela Casa Branca em abril deste ano citou preocupações de empresas estadunidenses do setor financeiro, como Visa e Mastercard, em relação ao avanço do Pix.
“O Banco Central criou e regula o Pix; ‘stakeholders’ dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos”, afirmou o documento.
O texto também menciona que a adesão ao Pix é obrigatória para instituições financeiras com mais de 500 mil contas.
Debate sobre concorrência no setor financeiro
Embora o documento oficial da investigação não cite diretamente o PIX, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que o Brasil “parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico”.
Na avaliação do governo norte-americano, o país estaria favorecendo soluções de pagamento desenvolvidas pelo Estado, em um movimento que poderia afetar empresas privadas globais do setor.
As críticas reforçam o debate internacional sobre o avanço de sistemas públicos de pagamento digital e seus impactos sobre a concorrência no mercado financeiro.


