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Noskova: “Vou precisar de alguns dias para entender o que consegui”

Noskova: “Vou precisar de alguns dias para entender o que consegui”

Noskova: “Vou precisar de alguns dias para entender o que consegui”

Londres (Inglaterra) – Nem mesmo depois de erguer o troféu de Wimbledon, Linda Noskova conseguia dimensionar o tamanho da conquista. Campeã de Grand Slam pela primeira vez na carreira, a tcheca de 21 anos admitiu que ainda precisará de algum tempo para entender tudo o que viveu nas duas últimas semanas no All England Club.

“Não, ainda não tenho consciência de que sou campeã de Wimbledon. Parece que só se passaram alguns minutos desde que saí da quadra. É algo incrível, que certamente vou lembrar para sempre, mas sei que vou precisar de alguns dias para entender tudo o que consegui”, afirmou na entrevista coletiva.

A conquista, no entanto, correu algum risco de escapar. Depois de dominar o primeiro set e abrir vantagem de 5/3 na segunda parcial, Noskova desperdiçou cinco match-points, viu Karolina Muchova reagir e levar a decisão para o terceiro set. Foi justamente nesse momento, depois de salvar três break-points na abertura da parcial decisiva, que a nova campeã encontrou forças para recomeçar.

“Eu simplesmente dizia para mim mesma que a partida estava recomeçando. Estava no banheiro, joguei um pouco de água fria no rosto e disse que era hora de começar de novo. O que realmente me ajudou foi que, quando dei o primeiro passo para fora da quadra, vi os troféus ali. Pensei: ‘Não vou levar o pequeno, vou levar o grande’. Eu olhava para o maior e pensava que o levaria para casa de qualquer jeito, que deixaria a alma no terceiro set”, revelou.

Noskova reconheceu que o início da parcial decisiva foi determinante para recuperar a confiança depois de perder cinco games seguidos. “Estive muito perto. Se não ganhasse, seria o sofrimento da minha vida. Recomecei. Talvez o primeiro game tenha sido a chave, salvando break-points e conseguindo confirmar o saque. Esses pontos foram fundamentais. Sou corajosa o bastante para admitir que o terceiro set provavelmente não teria sido o mesmo se eu tivesse perdido aquele primeiro game.”

Nervosismo e reação após empate

A campeã também admitiu que sentiu o peso da decisão quando esteve tão perto da vitória. “O segundo set foi muito difícil para mim. Minha mão congelou em alguns momentos, senti que minhas pernas já não eram tão rápidas como antes. Prefiro focar nas coisas positivas”, disse, sorrindo. “No último match-point, eu nem tinha percebido que era um match-point. Simplesmente continuei firme. Acho que foi isso que me fez ganhar, porque aquilo não estava na minha cabeça.”

Ela explicou que o alívio só veio depois da bola final. “Quando percebi que tinha vencido, de certa forma relaxei. Todo o estresse saiu do meu corpo, todos aqueles pensamentos sobre ganhar ou não ganhar. Eu pensava se estava 5/3, se conseguiria confirmar o saque. Não foram momentos fáceis, mas fico feliz por ter conseguido fechar no meu primeiro match-point do terceiro set”, disse aliviada.

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Outro detalhe importante para a recuperação emocional foi um conselho recebido do treinador ainda na véspera da decisão. Durante a pausa entre os sets, Noskova tentou se isolar do ambiente criado pela reação de Muchova e pelo entusiasmo da torcida.

“O público ficou realmente muito barulhento depois dos games que perdi, então tentei permanecer dentro de mim por um tempo. Eu costumo colocar a toalha sobre a cabeça depois de perder uma quebra ou em momentos assim. Uma das coisas que meu treinador me disse ontem foi que, se eu precisasse de um momento, deveria aproveitá-lo, seja saindo da quadra ou ficando sozinha por alguns instantes.”

Mesmo disputando sua primeira final de Grand Slam, a tcheca se mostrava solta em quadra e protagonizou grandes lances, mesclando agressividade e variação. “Eu também não sei como consegui fazer isso. Tentei replicar as sensações que tive nas rodadas anteriores. Não estava muito nervosa antes das outras partidas, então procurei manter minhas rotinas e tudo o que havia funcionado antes. Hoje foi diferente. Já disputei algumas finais e finais são finais. Não importa o que você faça, sempre existe pressão.”

Final entre amigas

Noskova também comentou a dificuldade de enfrentar uma grande amiga em uma decisão de Grand Slam. As duas disputaram juntas os Jogos Olímpicos de Paris em 2024 e chegaram às semifinais. Na decisão do bronze, acabaram caindo para as espanholas Cristina Bucsa e Sara Sorribes.

“Para mim nunca é fácil jogar contra uma amiga. Desta vez quis manter certa distância. Apenas nos cumprimentamos e foi só isso antes da partida. Acho que isso me ajudou bastante durante o jogo. Conheço o tênis da Karolina e sei que ela é uma adversária muito difícil em qualquer superfície, então precisei permanecer completamente concentrada. Acho que ainda somos amigas, espero que sim.”

Emoção ao lembrar da mãe

Durante a cerimônia de premiação, Noskova protagonizou o momento mais emocionante da tarde ao dedicar o título à mãe, que morreu pouco antes de Wimbledon em 2024, após uma longa batalha contra o câncer. “Também há mais uma pessoa a quem gostaria de agradecer, que é a minha mãe. Eu definitivamente não estaria aqui em pé sem ela. Então, obrigada.”

Já mais tranquila após a conquista, ela resumiu tudo o que viveu durante a campanha em Londres. “Eu normalmente não choro, isso não é normal para mim. Aproveitei muito estas duas semanas. Todas as lágrimas de tristeza, todas as lágrimas de felicidade. Todo o suor e todo o sangue investidos nisso valeram a pena. Eu definitivamente nunca vou esquecer estas duas semanas.”

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