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Peixes mortos em igarapé levantam suspeita de contaminação

Peixes mortos em igarapé levantam suspeita de contaminação

Peixes mortos em igarapé levantam suspeita de contaminação

Centenas de peixes mortos em igarapé acenderam o alerta na zona rural de São Luís. O caso foi registrado na comunidade Terra do Rumo, entre as regiões da Estiva e de Igaraú, e mobilizou moradores, agentes de saúde e órgãos ambientais.

Quem vive no local suspeita de contaminação da água por resíduos químicos. As famílias relatam forte mau cheiro, sintomas de saúde e prejuízos à pesca e à coleta de frutos como juçara e buriti.

A comunidade fica em uma área onde a extração de frutos e a pesca sustentam a renda de várias famílias há gerações. Com a suspeita de poluição, parte dos moradores deixou de usar o igarapé.

Moradores apontam tubulação ligada a fábrica

Segundo os moradores, resíduos estariam sendo lançados no igarapé por uma tubulação supostamente ligada à fábrica da Solar, empresa integrante do sistema Coca-Cola. A suspeita ainda não foi confirmada pelos órgãos responsáveis.

O presidente do Instituto Reviva Rio, Márcio Cruz, afirma que a comunidade cobra respostas sobre a composição do material lançado na água. Segundo ele, a tubulação apontada pelos moradores estaria ligada à unidade industrial da Solar.

A comunidade pede uma análise detalhada da qualidade da água e dos resíduos. Além disso, quer medidas para evitar novos episódios de mortandade de peixes.

Sintomas e prejuízo à renda das famílias

Moradores que vivem próximos ao igarapé relatam problemas de saúde que associam ao odor e ao possível contato com a água. Entre os sintomas citados estão coceira na pele, dores de cabeça, náuseas e complicações respiratórias.

“A gente vive da juçara, meu pai é o tirador da juçara aqui, meu filho está seguindo os caminhos dele”, contou a empreendedora Jaciene dos Santos. Ela afirma que a família deixou de colher buriti por medo de contaminar outras pessoas.

A dona de casa Cleomar da Conceição Silva diz que o mau cheiro é constante e, em alguns momentos, impede a família de fazer as refeições dentro de casa. A aposentada Maria de Jesus Sousa conta que o marido, com problemas pulmonares, tem crises de tosse quando o odor aumenta.

Já a dona de casa Cândida de Fátima Morais relata episódios de coceira pelo corpo entre familiares, incluindo os netos. Ainda assim, não há confirmação técnica de que os sintomas estejam ligados à qualidade da água.

O que dizem os órgãos ambientais

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) coletou amostras de água em quatro pontos do igarapé. O objetivo é identificar alterações na qualidade da água e investigar as causas da morte dos peixes.

Equipes da Sema, agentes de saúde municipais e estaduais e profissionais da Defesa Civil estiveram na região. Durante a visita, os profissionais ouviram moradores e reuniram informações sobre os sintomas relatados.

A Sema informou que, caso sejam identificadas irregularidades ou evidências de responsabilidade por danos ambientais, adotará as medidas previstas na legislação.

A mortandade de peixes é um indicador clássico de desequilíbrio em cursos d’água. Quando o oxigênio dissolvido cai ou há lançamento de substâncias tóxicas, os peixes morrem em grande quantidade e em pouco tempo. Por isso, as amostras coletadas em quatro pontos são decisivas para apontar a origem do problema.

Além do impacto ambiental, o caso expõe a dependência das famílias em relação ao igarapé. A pesca e a coleta de juçara e de buriti funcionam como fonte de renda e de alimentação para a comunidade.

O que a Solar afirma

Em nota, a Solar informou que seus efluentes são tratados conforme os parâmetros técnicos e legais aplicáveis. A empresa afirmou que os resíduos são destinados, por meio de emissário, a uma localidade a cerca de 3,5 quilômetros da unidade fabril.

A companhia declarou que iniciou apurações internas assim que tomou conhecimento das publicações sobre o córrego adjacente. Segundo a Solar, as análises seguem em andamento e a empresa mantém diálogo com a comunidade e com a autoridade ambiental.

O histórico da região também pesa nas denúncias. O autônomo Gilson César Rocha afirma que a comunidade enfrenta problemas com as condições do igarapé há cerca de 20 anos. Ele lembra que o local já foi usado para pesca, banho e lazer.

Investigação em andamento

Os resultados das análises devem esclarecer as causas da mortandade de peixes. A partir disso, será possível orientar as providências necessárias para atender a comunidade.

Denúncias de contaminação em cursos d’água do Maranhão já apareceram em outras ocasiões. Em fevereiro, a Rede de Apoio à Mulher Agricultora (Rama) denunciou ao Ministério Público e à ONU a contaminação por agrotóxicos em comunidades do estado.

A Solar opera uma linha de produção na capital, inaugurada em solenidade com autoridades estaduais. A fábrica faz parte de um setor que exige controle rigoroso de resíduos, justamente pelo impacto que pode causar em rios e igarapés.

Enquanto a análise não termina, os moradores da Terra do Rumo seguem sem respostas. A cobrança é por transparência nos laudos e por ação rápida para evitar novas mortes de peixes.

Com informações do Blog Werbeth Saraiva e do portal Conexão Maranhense.

O Ludovico

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