Pressão sobre Brandão: aliados cobram apoio a Flávio
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), virou alvo de uma pressão sobre Brandão cada vez mais forte no segundo turno. Prefeitos e partidos que sustentam seu grupo político cobram que ele apoie a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A base do governador reúne cerca de 180 prefeituras no estado.
Parte desses aliados quer que Brandão fique longe da linha de frente da campanha de reeleição do presidente Lula (PT). O movimento ganhou força depois que o petista manifestou apoio ao vice-governador Felipe Camarão (PT), derrotado na disputa estadual. O segundo turno opõe Lula e Flávio Bolsonaro, e cada palanque estadual virou peça disputada pelas duas campanhas.
Pressão sobre Brandão reúne 180 prefeituras
O grupo político de Brandão é um dos maiores do Maranhão. Ele junta prefeitos, vereadores e lideranças de todas as regiões. Muitos desses nomes não se elegeram ou não conseguiram a reeleição em 2026. Por isso, dizem, o clima dentro da base ficou pesado.
A avaliação entre os aliados é direta. Eles acham que Lula preferiu fortalecer o grupo ligado ao ministro do STF Flávio Dino. O petista escolheu o palanque de Camarão, que teve 9,6% dos votos, em vez do de Orleans Brandão (MDB), que alcançou 34,7%.
Orleans era o candidato apoiado pelo Palácio dos Leões e por uma ampla base de prefeitos. Mesmo assim, perdeu a eleição estadual. O ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) venceu ainda no primeiro turno, com 54,03% dos votos, e se manteve neutro na disputa presidencial.
Esse quadro mostra como o campo progressista se uniu no 2º turno no Maranhão em torno da campanha de Lula. Para os aliados de Brandão, porém, a conta não fechou. Eles esperavam que o apoio do presidente a Camarão viesse acompanhado de mais espaço para o grupo do governador.
Partidos aliados se dividem no segundo turno
O cenário nacional aumenta a cobrança. Partidos de centro e de direita anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, o Republicanos e o Novo fecharam com o senador. Na quinta-feira (8), o Podemos também aderiu.
No MDB, a divisão é maior. Parte dos diretórios estaduais defende o apoio ao senador. A direção nacional, presidida por Baleia Rossi, resiste a abandonar a neutralidade partidária. Levantamento citado pela Folha de S.Paulo apontou que 15 dos 27 diretórios estaduais eram favoráveis a Flávio. No Republicanos, o apoio institucional veio junto com a liberação de filiados para apoiar outros candidatos.
Esses posicionamentos nacionais não obrigam todos os integrantes das legendas nos estados. Por isso, cada governador ficou livre para decidir o próprio caminho. No caso de Brandão, a decisão mistura a política local com a nacional.
O convite de Camarão a Brandão e a Orleans para subir no palanque de Lula ampliou o debate dentro do grupo governista. Para prefeitos aliados, o governador deveria pesar o cenário estadual antes de definir seu papel na disputa nacional.
Brandão já declarou preferência por Lula
Apesar da pressão, Brandão já disse publicamente de que lado está. Em agosto, ao comentar a posição do MDB nacional, o governador foi direto. “Eu, por mim, eu tava com Lula. Lá (no Maranhão) nós somos Lula de corpo e alma”, afirmou.
Agora ele precisa administrar cobranças de prefeitos e lideranças que defendem outro caminho. Uma declaração formal de apoio a Flávio o aproximaria de setores da direita da sua base. Manter o apoio a Lula, ou ficar neutro, teria outro custo nas relações com os aliados.
Nenhuma das opções é simples. O governador comanda um bloco com partidos de campos opostos. Agradar a um lado significa desagradar o outro em um ano de disputa acirrada.
O que esperar daqui para frente
O resultado do primeiro turno pesa na decisão. Lula venceu em 211 municípios maranhenses e recebeu quase 2,6 milhões de votos no estado. O desempenho do petista no Maranhão está entre os melhores do Nordeste.
Esse número dá argumento a quem defende que Brandão mantenha o apoio a Lula. Ao mesmo tempo, a força dos partidos de centro e de direita no estado pressiona o governador pelo outro lado.
O governador tem até o dia da votação para definir seu papel. Uma posição de neutralidade evitaria desgaste com a base, mas deixaria Brandão fora do palanque. Um apoio a Lula reforçaria a ala dinoista, enquanto o apoio a Flávio romperia com a tradição do seu grupo.
Por enquanto, o silêncio do governador é a resposta que a base ainda espera.
Com informações do blog O Maior do Mundo. Foto: Reprodução / John Cutrim.
O Ludovico



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