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Incra reconhece 2,4 mil famílias quilombolas em 14 municípios do MA

Incra reconhece 2,4 mil famílias quilombolas em 14 municípios do MA

Incra reconhece 2,4 mil famílias quilombolas em 14 municípios do MA

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou uma portaria que reconhece 2.451 famílias como quilombolas no Maranhão. A medida, divulgada nesta terça-feira (8), é um marco para o acesso a direitos e políticas públicas de reforma agrária no estado, alcançando comunidades historicamente invisibilizadas.

A Portaria nº 2.173, publicada no Diário Oficial da União, alcança comunidades quilombolas de 14 municípios maranhenses. Com o reconhecimento, essas famílias passam a integrar oficialmente o Programa Nacional de Reforma Agrária, no âmbito do programa federal Terra da Gente. O número expressivo de famílias contempladas reflete a força da presença quilombola no estado, que abriga centenas de comunidades espalhadas por todas as regiões.

O Maranhão, aliás, é um dos estados com maior concentração de comunidades quilombolas do Brasil, ao lado da Bahia, Pará e Minas Gerais. Estima-se que existam mais de 800 comunidades quilombolas em todo o estado, muitas delas ainda aguardando regularização fundiária.

O que muda para as famílias

A inclusão no programa permite que as famílias solicitem diversos serviços junto ao Incra, entre eles a regularização da ocupação, o reconhecimento como beneficiárias oficiais da reforma agrária e, futuramente, a titulação definitiva dos lotes onde vivem há gerações. Muitas dessas comunidades mantêm tradições seculares, com forte vínculo com a terra e práticas agrícolas sustentáveis.

Todo o processo é feito de forma digital, por meio da Plataforma de Governança Territorial (PGT) do Incra, com acesso pela conta unificada gov.br. Na prática, isso facilita o trâmite burocrático, mas ainda exige que as comunidades tenham acesso à internet e orientação para realizar o cadastro. O reconhecimento não garante a titulação imediata da terra, mas abre o caminho para que as comunidades avancem na regularização fundiária de forma gradual.

Itapecuru Mirim lidera em número de famílias

O município com o maior número de famílias incluídas é Itapecuru Mirim, com 734 famílias distribuídas em quatro comunidades: Buragir, Mocambo, Sumaúma/Mata III e Vista Alegre. A região já tem histórico de luta quilombola e agora dá um passo importante rumo à segurança jurídica da terra. Itapecuru Mirim, cidade histórica localizada a cerca de 110 km de São Luís, tem forte tradição cultural e econômica ligada às comunidades tradicionais.

Em seguida aparecem São Luiz Gonzaga, com 299 famílias nas comunidades Monte Alegre/Olho D’Água dos Grilos, Santarém e Santana, São Pedro; Santa Helena, com 253 famílias da comunidade Vivo; e Parnarama, com 250 famílias de Cocalinho e Guerreiro. Esses municípios estão distribuídos por diferentes regiões do estado, do leste ao oeste maranhense.

Distribuição completa por municípios

Outras cidades também foram contempladas pela portaria. Bacabal recebeu o reconhecimento de 171 famílias da comunidade Piratininga. Matões, 149 famílias das comunidades São João e Tanque de Rodagem. Codó, 128 famílias de Monta Barro, Queimadas e Três Irmãos. Matões do Norte, 122 famílias da comunidade Lago do Coco. Cantanhede, 97 famílias da comunidade Tambá.

Completam a lista São Mateus do Maranhão, com 68 famílias (comunidades Vila Nova, Vai Quem Quer e Boi Baiano), Penalva com 66 (Gapó), Vargem Grande com 62 (Santo Antônio dos Coelhos), Turilândia com 30 (Pindobal de Fama) e Miranda do Norte com 22 famílias (Joaquim Maria).

A portaria representa um avanço significativo na política de reconhecimento quilombola no Maranhão. Em anos anteriores, o governo federal já havia entregue títulos de territórios quilombolas em Itapecuru Mirim e São Vicente Ferrer e também reconheceu famílias em Codó, mas em número bem menor.

O avanço gradativo da regularização quilombola no estado mostra que a luta por reconhecimento continua. Especialistas apontam que a titulação das terras é essencial não apenas para a segurança jurídica das comunidades, mas também para a preservação cultural e o desenvolvimento sustentável das regiões onde vivem.

A expectativa é que, com o reconhecimento, as famílias possam acessar políticas públicas de moradia, crédito rural, assistência técnica e demais benefícios voltados à agricultura familiar, gerando renda e melhorando a qualidade de vida nas comunidades.

Para solicitar os serviços, os moradores das comunidades reconhecidas devem acessar a PGT pelo site do Incra, utilizando login e senha do gov.br. Em caso de dúvidas, as prefeituras municipais e os movimentos sociais quilombolas têm prestado apoio no cadastramento das famílias.

(Foto: Wikimedia Commons / Comunidade Quilombola de Itamatatiua, em Alcântara – MA)

Com informações de Imirante

O Ludovico

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