Ricardo Magro, da Refit, é incluído na lista vermelha da Interpol após pedido da PF e de Moraes
Ricardo Magro, dono da Refit. Foto: reprodução
A Interpol incluiu Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, na Difusão Vermelha, mecanismo internacional usado para localizar e capturar foragidos. A partir da medida, o empresário passa a ser procurado e pode ser preso em 196 países integrantes da rede policial internacional.
O pedido foi feito pela Polícia Federal no último sábado (16), após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão ocorreu no âmbito da Operação Sem Refino, que também autorizou mandado de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (PL).
Magro é investigado por suspeitas de fraudes fiscais e sonegação de impostos em um caso que, segundo as autoridades, pode chegar a R$ 52 bilhões. Ele é apontado como o maior sonegador do Brasil. A PF não sabe o local exato onde o empresário está, razão pela qual solicitou sua inclusão como foragido internacional.
O empresário mora fora do Brasil há pelo menos dez anos. Ele tem residência nos Estados Unidos e cidadania portuguesa. Aos 51 anos, Magro é advogado, formado pela Universidade Paulista, com pós-graduação em direito tributário, e comanda desde 2008 a antiga Refinaria de Manguinhos, hoje Refit.
Na sexta-feira (15), equipes da PF cumpriram mandado em Jundiaí, no interior de São Paulo, contra empresa ligada a Magro. Segundo a corporação, “A ação apura a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar a estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”.
Instalações da Refit. Foto: reprodução
O grupo Refit é considerado um dos maiores devedores de impostos do país. A empresa é apontada como a maior devedora de ICMS do estado de São Paulo, a segunda maior do Rio de Janeiro e uma das maiores da União. Em novembro do ano passado, Magro já havia sido alvo de uma megaoperação contra devedores da Receita Federal.
O empresário nega irregularidades e atribui o rótulo de “maior devedor de ICMS do país” a uma suposta perseguição institucional de grandes empresas do setor. Em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou ser alvo de perseguição e ameaças do PCC.
Magro também foi alvo da Operação Recomeço, deflagrada em 2016 pela PF e pelo Ministério Público Federal para investigar desvios de recursos de fundos de pensão da Petrobras e dos Correios. À época, ele era sócio do Grupo Galileo, que emitiu debêntures de R$ 100 milhões para recuperar a Universidade Gama Filho. Segundo o MPF, havia indícios de desvio ilegal dos valores.
A Refit também foi mencionada em etapas da Operação Carbono Oculto, que apura a presença do PCC no mercado de combustíveis. A empresa não foi alvo de buscas nessa frente, mas documentos oficiais citam a companhia em um fluxo comercial que teria envolvido empresas usadas pela facção. Magro rejeita as acusações e diz ter colaborado com autoridades.
A Refinaria de Manguinhos já foi interditada diversas vezes pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A ANP apontou indícios de que a Refit importava combustíveis praticamente prontos, em vez de realizar o processo de refino. Em 2024, o Ministério Público de São Paulo também apontou a empresa em apurações sobre sonegação e adulteração de bombas.


