TRE-MA suspende divulgação de pesquisa Real Time Big Data
O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) determinou nesta quinta-feira (10) a suspensão da divulgação da pesquisa Real Time Big Data registrada sob o número MA-02569/2026. A decisão, assinada pelo juiz Rubem Lima de Paula Filho, é temporária e vale por 24 horas. O pedido partiu da coligação Avanço por Todo Maranhão, que reúne partidos da base governista na disputa majoritária.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores em todo o estado entre os dias 5 e 9 de setembro. A pesquisa abrange as disputas pelo Governo do Maranhão e pelo Senado Federal, as duas corridas eleitorais mais disputadas deste ano. O custo declarado foi de R$ 24 mil, pagos integralmente com recursos próprios do instituto. A empresa estava autorizada a divulgar os números a partir da manhã desta quinta-feira, quando a decisão judicial interrompeu a publicação.
O questionamento da coligação
Na ação, a coligação apontou possíveis incompatibilidades entre a metodologia registrada, o plano amostral e o questionário da pesquisa. Um dos pontos mais polêmicos foi o uso de dados do Censo de 2010 para definir o nível econômico dos entrevistados, informações que já têm mais de 16 anos de defasagem. A coligação também questionou a capacidade financeira da Real Time Mídia para bancar o levantamento de forma independente.
Ao analisar o pedido, o juiz afirmou que não existem, até o momento, elementos suficientes para considerar a pesquisa fraudulenta. Também não foi identificado um suposto financiador oculto. O magistrado afastou, nesta fase, a alegação de incapacidade econômica da empresa, considerando que os documentos apresentados não comprovam a tese.
No entanto, o juiz entendeu que faltam informações essenciais sobre a metodologia aplicada. A decisão aponta que os documentos não esclarecem como foi feita a combinação de entrevistas telefônicas e digitais. Também não está claro se houve participação de entrevistadores humanos na coleta ou se o processo foi totalmente automatizado.
Inteligência artificial na pesquisa
Um dos pontos que mais chamaram a atenção na decisão foi o uso de recursos de inteligência artificial na coleta e no processamento das respostas. Segundo o magistrado, os documentos cadastrados não explicam como a IA atuou, nem qual foi sua função exata no levantamento. Também não está claro como os entrevistados foram vinculados às localidades sorteadas na amostra.
A decisão questiona ainda o que significa o termo “abordagens digitais” utilizado pela empresa. Os autos não informam quantas entrevistas foram realizadas por telefone, quantas por meios digitais e qual foi a participação relativa de cada modalidade no total de 1.600 entrevistas.
O que a empresa precisa explicar
A Real Time Mídia tem 24 horas para apresentar manifestação técnica ao TRE-MA. O juiz determinou que o documento seja preferencialmente assinado também pela estatística responsável pela pesquisa. A empresa precisa esclarecer como ocorreu a supervisão humana das entrevistas e a verificação de 15% dos questionários aplicados, conforme exige a legislação eleitoral.
Outro ponto obrigatório é a justificativa técnica para o uso de dados do Censo de 2010 como base para a variável econômica. Completados 16 anos desde o último censo completo, a utilização de dados tão desatualizados pode distorcer a classificação socioeconômica dos entrevistados.
Depois da apresentação dos esclarecimentos, o TRE-MA voltará a analisar o caso e decidirá se mantém ou revoga a suspensão. A decisão ressalta que a medida é temporária e não representa reconhecimento de fraude ou falsidade metodológica.
A mesma pesquisa em outro processo
A pesquisa MA-02569/2026 já era discutida em outro processo na Justiça Eleitoral. Naquele caso, foi proferida uma decisão cautelar específica sobre a divulgação de determinados cenários de segundo turno. O juiz reconheceu a prevenção do juízo para evitar decisões conflitantes sobre o mesmo levantamento, unificando a análise.
Reta final da campanha
A suspensão ocorre a exatos 24 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Pesquisas eleitorais têm sido alvo frequente de disputas judiciais na reta final, especialmente quando os números apontam cenários desfavoráveis a determinadas candidaturas. O instituto Real Time Big Data já havia divulgado levantamento anterior no Maranhão que mostrava cenários competitivos para as majoritárias.
A decisão do TRE-MA expõe a crescente complexidade técnica das pesquisas eleitorais em 2026. A combinação de métodos tradicionais com ferramentas digitais e inteligência artificial, embora prometa maior eficiência, também levanta novas questões sobre transparência e controle metodológico. A discussão promete se intensificar nas próximas semanas, com o avanço da campanha e a chegada de novas pesquisas contratadas por diferentes instituições.
O caso também reforça a importância do registro prévio das pesquisas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permite o controle judicial antes mesmo da divulgação dos resultados. Mecanismo criado para coibir fraudes, o sistema tem sido cada vez mais acionado por coligações que questionam a metodologia dos levantamentos.
Com informações de Gilberto Léda
O Ludovico



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