Adesão ao Novo Desenrola bloqueará acesso a plataformas de bets
Anúncio foi feito por Lula durante pronunciamento à cadeia de rádio e TV nesta 5ª feira (30.abr)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os brasileiros que aderirem ao programa Desenrola 2.0 terão o acesso a plataformas de apostas on-line –as chamadas “bets”– bloqueado por 1 ano. O anúncio foi feito em pronunciamento à cadeia de rádio e TV nesta 5ª feira (30.abr.2026).
Segundo Lula, “não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”. O programa será lançado na 2ª feira (4.mai).
Entre os pontos centrais da nova fase do Desenrola estão:
- renegociação de serviços: foco em contas de luz, água e comércio varejista;
- garantia do Tesouro: uso do fundo garantidor para reduzir o risco dos credores e baixar as taxas de juros;
- público-alvo: ampliação da faixa de renda para atender a classe média baixa e trabalhadores informais.
Lula também disse que “não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”.
O presidente já havia se posicionado de forma contrária às bets. Em entrevista ao ICL Notícias, o petista disse que, se dependesse dele, as plataformas de apostas seriam fechadas. “Se as bets causam o mal que a gente acha que causa, por que a gente não acaba com as bets?”, questionou.
Apesar do discurso de Lula, só no 1º trimestre de 2026, o governo arrecadou R$ 3,4 bilhões com atividade de exploração de jogos de azar e apostas.
Assista (7min10s):
Assim como em 2025, Lula não deve participar de nenhum ato no dia 1º de maio. Estratégia visa a evitar desgaste de imagem, considerando o esvaziamento do evento organizado por centrais sindicais em 2024.
6 x 1
Um dos temas mais caros para o Planalto é o fim da escala 6 X 1. A pauta tem sido vendida como uma política de bem-estar para as mulheres, grupo tido como um dos focos da campanha –eleitorado feminino representa maioria dos votantes.
O governo enviou, em 14 de abril, o projeto de lei pela redução da escala de trabalho ao Congresso. O projeto foi construído de forma abrangente. O texto também mexe em legislações complementares às que tratam de categorias específicas, ampliando o escopo da reforma.
DERROTA NO SENADO
O pronunciamento de Lula foi feito 1 dia após uma das maiores derrotas políticas do 3º mandato do presidente. Na 4ª feira (29.abr), o ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado para assumir a vaga no Supremo Tribunal. Indicado por Lula em 20 de novembro, o AGU recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis –seriam necessários 41 a favor para que ele fosse aprovado.
Com a rejeição, o governo estuda uma retaliação ao presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Também faz um pente-fino para identificar possíveis traições de congressistas da base aliada –incluindo no PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Como o pronunciamento foi gravado na 4ª feira (29.abr), antes da derrota de Messias no Senado, não há nenhuma menção à rusga com o Congresso na mensagem.
PL DA DOSIMETRIA
Menos de 24 horas depois de rejeitar a indicação de Jorge Messias, o Congresso derrubou, nesta 5ª feira (30.abr.2026), o veto do presidente ao PL (Projeto de Lei) da Dosimetria. O placar na Câmara foi de 318 votos contra e 144 a favor da manutenção da medida. No Senado, 49 a 24, respectivamente.
O projeto, que reduz penas para crimes de golpe de Estado e abolição do Estado de Direito, beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 849 condenados pelos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023. A derrubada do veto marca mais uma derrota do governo Lula no 3º mandato.


