Otan espera que redução de tropas dos EUA na Europa leve anos | Mundo
Os Estados Unidos prometeram tirar mais tropas da Europa, mas o processo deverá se estender por anos para que os aliados tenha tempo de desenvolver capacidades que substituam os americanos, afirmou nesta terça-feira (19) o principal comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Alexus Grynkewich.
General da Força Aérea dos EUA, Grynkewich falou após decisões do governo do presidente Donald Trump de retirar cerca de 5 mil soldados da Alemanha e cancelar o envio de mísseis Tomahawk de longo alcance.
Autoridades europeias foram surpreendidas pelo momento do anúncio da retirada das tropas e pelo fato de integrantes do governo americano relacionarem a decisão às críticas do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, à estratégia dos EUA na guerra com o Irã.
Falando a jornalistas após uma reunião de chefes militares da Otan em Bruxelas, Grynkewich disse que essa era a única medida do tipo da qual tinha conhecimento “no curto prazo” e que ela não afetará a capacidade da aliança de executar seus planos de defesa.
Governos europeus afirmam ter atendido ao apelo de Trump para aumentar os gastos militares e assumir mais responsabilidade pela segurança do continente. Eles temem, porém, que uma retirada rápida de tropas e armamentos americanos deixe a Europa vulnerável a um ataque militar russo, embora Moscou negue ter qualquer intenção nesse sentido.
O principal comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Alexus Grynkewich. — Foto: Al Drago/Bloomberg
Redução deve levar anos
Grynkewich afirmou ainda que haverá novas retiradas de tropas americanas na Europa, onde os EUA mantêm cerca de 80 mil militares, mas isso ocorrerá à medida que forças europeias cresçam para preencher a lacuna.
“À medida que o pilar europeu da aliança se fortalece, isso permite que os EUA reduzam sua presença na Europa e se limitem a fornecer apenas aquelas capacidades críticas que os aliados ainda não conseguem oferecer”, afirmou Grynkewich.
“Não posso realmente dar um cronograma exato; será um processo contínuo ao longo de vários anos”, acrescentou.
Segundo ele, embora a Europa passe a assumir maior responsabilidade pela defesa convencional, isso ocorrerá “com apoio contínuo de capacidades críticas americanas, que estão sendo ajustadas”.
Autoridades e analistas afirmam que a Otan depende dos EUA em diversas capacidades essenciais, como sistemas de comando e controle, inteligência e comunicações via satélite, bombardeiros estratégicos e o guarda-chuva nuclear americano.


