Potência limpa: o mapa da geração de energia no Brasil mudou
Lagoa dos Ventos, no Piauí: a energia renovável avança no Brasil (Eduardo Anizelli/Folhapress/.)
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Quando VEJA nasceu, em 1968, segurança energética significava sobretudo ter petróleo. As grandes economias dependiam de combustíveis fósseis, e crises de abastecimento eram capazes de desorganizar países inteiros. Meio século depois, num mundo que busca conciliar crescimento e descarbonização, o Brasil ocupa uma posição rara: a de potência energética apoiada sobretudo em fontes renováveis. A inauguração de Itaipu, em 1984, marcou o ápice da aposta nacional nas hidrelétricas e firmou um modelo construído sobre abundância hídrica. Enquanto boa parte do mundo industrializado permaneceu atada a carvão, petróleo e gás, o sistema brasileiro cresceu tendo a água como espinha dorsal — e foi essa escolha feita décadas atrás que hoje coloca o país em vantagem numa corrida que o restante do mundo tenta, a duras penas, começar a disputar. Nos últimos anos, porém, o mapa da geração mudou. As fontes renováveis já respondem por 88% da matriz elétrica brasileira — enquanto a média global é de 32%. O avanço da energia solar e eólica, sobretudo no Nordeste brasileiro, abriu uma nova fronteira econômica, apoiada em ventos constantes, alta incidência solar e notáveis ganhos tecnológicos. Complexos como Lagoa dos Ventos, no Piauí, simbolizam essa transformação. Ao mesmo tempo, a abundância de energia de baixo carbono abriu espaço para novas cadeias industriais, como a de biocombustíveis. O desafio agora é converter essa vantagem natural em mais competitividade e mais riqueza.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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