Caso Eldorado: PF aponta propina de R$ 40 mi e mira Difusora
Uma investigação da Polícia Federal aponta que o advogado Willer Tomaz, controlador do Sistema Difusora no Maranhão, usou uma empresa do próprio grupo de comunicação para receber R$ 12,3 milhões. O depósito, segundo a apuração, teria relação com a compra de um parecer do Ministério Público Federal no caso Eldorado.
A informação foi publicada pelo UOL e repercutida nesta sexta-feira por veículos maranhenses. A disputa envolve o controle da Eldorado Brasil Celulose, alvo de uma briga bilionária entre a J&F, dos irmãos Batista, e a Paper Excellence, grupo indonésio.
Como a PF chegou à propina no caso Eldorado
Segundo as mensagens analisadas pelos investigadores, as conversas indicam uma negociação de aproximadamente R$ 40 milhões para obter manifestação favorável à Paper Excellence na disputa com a J&F. Desse total, R$ 10 milhões caberiam a Willer Tomaz.
Ao encaminhar os dados bancários da Difusora a um contato identificado como Marc Dhabi, o advogado informou que o depósito de R$ 12,3 milhões corresponderia àquele valor combinado. O dinheiro entrou na conta da empresa no mesmo dia em que o então subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Soares assinou um parecer contrário a uma liminar que beneficiava a J&F no Superior Tribunal de Justiça.
Em uma das mensagens citadas na apuração, Willer avisa ao interlocutor que o texto “já está no site do STJ”. De acordo com a PF, Dhabi recebeu os pareceres favoráveis à CA Investment, braço da Paper Excellence no Brasil. O parecer, no entanto, não foi seguido.
Procurado pela reportagem que revelou o caso, Willer Tomaz disse que não iria comentar.
Entenda a disputa pela Eldorado Brasil Celulose
A Eldorado entrou no radar do mercado em 2017, quando a J&F fechou a venda do controle da companhia à Paper Excellence, em negócio de cerca de R$ 15 bilhões. A operação nunca se completou de forma pacífica e acabou na Justiça.
Em 2021, uma arbitragem deu razão à Paper e mandou a J&F concluir a venda. Desde então, uma sequência de decisões judiciais e pareceres travou e destravou a tomada de controle pela empresa indonésia, em um imbróglio que envolve o Superior Tribunal de Justiça e o Ministério Público Federal.
Por que o caso interessa ao Maranhão
O Sistema Difusora é um dos grupos de comunicação mais antigos do estado, com emissoras de rádio e TV que alcançam boa parte do interior maranhense. A menção a uma empresa do grupo no centro da apuração coloca o Maranhão na rota de um dos casos de maior valor da história recente do país.
O caso também reacende o debate sobre a compra de pareceres dentro do Ministério Público Federal. Quando um documento desse tipo é negociado, o prejuízo não é apenas financeiro: o que está em jogo é a própria credibilidade das instituições que deveriam zelar pelo interesse público.
Até o momento, não há informação pública sobre indiciamento ou denúncia contra os citados. A apuração segue sob sigilo e o advogado não se manifestou sobre o conteúdo das mensagens.
Com informações de Marrapá, UOL e O Observador Maranhense. Veja os detalhes em Marrapá e no O Observador Maranhense. Leia também PF faz operação em fazenda do pai de Felipe dos Pneus e PF acha dinheiro em cofre, prefeito é preso e política trava no MA.
O Ludovico



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