Bolsonarismo questiona nota da PF que cita ‘cooperação internacional’ em prisão de Ramagem nos Estados Unidos: ‘Narrativa’
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro levantam questionamentos sobre a nota divulgada pela Polícia Federal (PF) que menciona a “cooperação internacional” na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos. O ex-parlamentar foi liberado na quarta-feira, dois dias após ter sido detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE).
Ramagem é considerado foragido no Brasil desde que saiu do país após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão por participar de uma trama golpista. O registro da detenção foi incluído no sistema do condado de Orange, com foto (“mugshot”) e indicação de “immigration hold”, sugerindo uma custódia de natureza migratória, sem detalhes sobre acusações criminais locais.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) apontou uma contradição na versão apresentada pela PF e mencionou duas possibilidades em relação à cooperação mencionada.
“Se houve cooperação e o detido foi solto, existem apenas duas opções: ou os EUA agiram de forma inadequada e soltaram um notório terrorista — possivelmente por ter contratado a esposa de um juiz da suprema corte — enquanto o Brasil mantém o império da lei. Ou a PF brasileira enganou o ICE e o detido é, na verdade, um inocente que merece liberdade”, afirmou Eduardo.
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) levantou dúvidas nas redes sociais sobre se “a Polícia Federal mentiu?” ao compartilhar um post que argumentava sobre possíveis contradições na nota da PF.
Por sua vez, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) comentou sobre a libertação de Ramagem e destacou que “a narrativa da PF perde credibilidade”.
“Aliás, devemos questionar as atividades da PF em solo americano. Quem são os agentes, quais são suas responsabilidades, entre outras questões”, disse a parlamentar.
O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) afirmou que a soltura de Ramagem “revela uma vergonhosa incoerência na narrativa da PF”.
“(A PF) após a detenção, divulgou que se tratava de uma cooperação entre a PF e as autoridades americanas e que em breve o ex-deputado seria extraditado para o Brasil. Dois dias depois, Ramagem foi solto. Isso acontece quando uma força policial que deveria ser imparcial decide atender a interesses políticos específicos ou aos objetivos do governo vigente”, acrescentou.
A versão inicial compartilhada por aliados — incluindo o influenciador Paulo Figueiredo — de que a detenção teria sido motivada por uma infração leve de trânsito não foi confirmada pelas autoridades americanas.
Antes de ser preso, Ramagem havia solicitado asilo nos Estados Unidos. Segundo Figueiredo, que afirma ter auxiliado o ex-parlamentar, não foi necessário pagar fiança.
Procurada, a PF não emitiu nenhum posicionamento até o momento da publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso haja resposta.


