Hugo Motta insiste em PEC do fim do 6×1 mirando 1º de maio
Por Cleber Lourenço
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, pretende acelerar o processo de votação da proposta que modifica o regime de trabalho conhecido como escala 6×1, visando colocar a matéria em votação próxima ao dia 1º de maio. A informação foi confirmada pelo líder do PSOL na Câmara, deputado Tarcísio Motta, durante a reunião do colégio de líderes realizada ontem (15).
Durante o encontro, foi relatado que a Proposta de Emenda à Constituição seguirá tramitação paralela a um projeto de lei abordando o mesmo tema, o qual pode avançar com urgência constitucional. Essa estratégia possibilita que o Congresso mantenha duas frentes abertas sobre o assunto, ampliando as possibilidades de deliberação em curto prazo.
Conforme o líder do PSOL, Hugo Motta tem reiterado sua intenção de colocar a proposta em pauta em um momento simbólico, buscando a aprovação próxima ao Dia do Trabalhador. Essa movimentação ocorre em meio a pressões de diversos setores políticos e sociais que defendem alterações na jornada tradicional de trabalho.
A organização do calendário de votações da Câmara também está envolvida na articulação. Ficou acordado que haverá sessões ao longo desta semana, incluindo sexta-feira, para garantir o cumprimento dos prazos regimentais. Na próxima semana, as votações devem ocorrer com presença e registro por meio do sistema Infoleg, especialmente na quarta e quinta-feira.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que a combinação entre PEC e projeto de lei cria um ambiente mais flexível para o avanço da pauta, permitindo ajustes no formato final da proposta sem interromper o ritmo da tramitação. Isso preocupa membros da base governista e o próprio Planalto, pois abre espaço para que a oposição e o centrão possam incluir emendas e outros textos com o objetivo de enfraquecer a proposta de acabar com a escala 6×1. Paralelamente, existem divergências sobre o conteúdo e os impactos da medida, o que deve intensificar o debate nas próximas sessões.
A estratégia de vincular a votação ao 1º de maio é vista como uma tentativa de conferir caráter político e simbólico à proposta, em meio a uma disputa narrativa sobre direitos trabalhistas e organização do mercado de trabalho no país. Hugo Motta enxerga a proposta como uma maneira de “limpar” sua imagem, após ter sido criticado em publicações nas redes sociais ao longo do ano passado como “inimigo do povo” e alguém contrário aos interesses da sociedade.
Os líderes esperam que a definição do texto final e o consenso em torno da matéria sejam determinantes para seguir o cronograma proposto pela presidência da Câmara.
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