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Cidônio Gonçalves (PL): o advogado e empresário que aposta na força do sul do Maranhão para chegar ao Senado

Cidônio Gonçalves (PL): o advogado e empresário que aposta na força do sul do Maranhão para chegar ao Senado

Cidônio Gonçalves (PL), candidato ao Senado pelo Maranhão nas eleições 2026
Cidônio Gonçalves (PL) — candidato ao Senado (Foto: TSE / Wikimedia Commons)

A poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, a disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Maranhão apresenta um leque diversificado de candidatos. Entre eles, um nome com perfil empresarial e trajetória política recente chama atenção: Cidônio Gonçalves dos Santos, candidato pelo Partido Liberal (PL). Natural de Nanuque (MG), mas com atuação consolidada no sul do Maranhão, Cidônio aposta na força política da família Gonçalves, no eleitorado conservador e na chapa encabeçada por Roberto Rocha (PRTB) ao governo do estado para conquistar uma cadeira no Senado Federal.

Quem é Cidônio Gonçalves?

Cidônio Gonçalves dos Santos tem 65 anos e é formado em Direito. Além da advocacia, atua como empresário e pecuarista — perfil típico do agronegócio que domina a região sul do Maranhão. Mineiro de Nanuque, construiu sua carreira e seus negócios no estado vizinho, onde sua família acumulou poder político nas últimas décadas.

Seu irmão, Ildemar Gonçalves, foi prefeito de Açailândia — um dos maiores colégios eleitorais do Maranhão, com mais de 100 mil habitantes — e é uma das lideranças políticas mais influentes da região tocantina. A família Gonçalves comanda um grupo político com forte atuação no sul e sudoeste do estado, baseado em uma rede de apoio que inclui vereadores, ex-vereadores, lideranças comunitárias e empresários locais.

Trajetória política recente

Diferentemente de outros candidatos da série investigativa, Cidônio Gonçalves não possui longa carreira em cargos eletivos. Sua primeira experiência eleitoral expressiva foi em 2024, quando disputou a Prefeitura de Açailândia pelo PSDB. Na ocasião, obteve 18.794 votos, equivalentes a 30,8% dos votos válidos, ficando em segundo lugar — uma votação expressiva para um estreante em eleição majoritária, mas insuficiente para vencer o pleito.

A candidatura ao Senado em 2026 representa um salto ambicioso na carreira política. Para isso, filiou-se ao PL — partido do ex-presidente Jair Bolsonaro — e integra a chapa do candidato ao governo Roberto Rocha (PRTB). A aliança reúne forças da direita e centro-direita no estado, com discurso de oposição aos governos de Lula (PT) e Carlos Brandão (MDB).

A força política dos Gonçalves no sul do Maranhão

A família Gonçalves é uma das principais forças políticas da região sul do Maranhão. Ildemar Gonçalves, irmão de Cidônio, comandou a Prefeitura de Açailândia e mantém influência sobre a política local. O grupo político familiar construiu ao longo dos anos uma base sólida de eleitores, especialmente nos municípios da região tocantina, onde o agronegócio e o conservadorismo social são marcas registradas do eleitorado.

O controle político da região, entretanto, não é absoluto. Em 2024, a vitória em Açailândia ficou com a candidata apoiada pelo governador Carlos Brandão (MDB), o que mostra que o grupo Gonçalves, embora forte, enfrenta concorrência do establishment governista. A candidatura ao Senado pode ser vista como uma estratégia para ampliar a projeção política para além do sul do estado.

Patrimônio e declaração de bens

Conforme os dados disponíveis no sistema DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cidônio Gonçalves declarou bens ao registrar sua candidatura. Sua trajetória como empresário e pecuarista sugere um patrimônio compatível com décadas de atividade no agronegócio e na advocacia. A declaração completa de bens pode ser consultada diretamente no portal do TSE.

O perfil empresarial do candidato contrasta com o de seus oponentes que possuem longas carreiras no serviço público. Se eleito, Cidônio chegaria ao Senado com uma perspectiva voltada ao setor produtivo, especialmente ao agronegócio, que é o principal motor econômico do sul e sudoeste maranhense.

A chapa com Roberto Rocha

Cidônio Gonçalves compõe a chapa majoritária encabeçada por Roberto Rocha (PRTB), ex-senador pelo Maranhão (2015-2023). Roberto Rocha foi eleito senador em 2014 pelo PSB, depois migrou para o Podemos e hoje está no PRTB. Sua candidatura ao governo representa uma tentativa de retorno ao primeiro escalão político após ter perdido a reeleição ao Senado em 2022.

A aliança PL-PRTB reúne forças da direita maranhense em torno de um projeto de poder que mistura a experiência de Rocha no Senado com a base eleitoral regional dos Gonçalves. A chapa enfrenta, no entanto, o desafio de superar a polarização entre as candidaturas de Eduardo Braide (PSD) e Felipe Camarão (PT) ao governo, que concentram a maior parte da atenção e dos recursos da campanha.

Os desafios da campanha

Ao disputar uma vaga no Senado, Cidônio Gonçalves enfrenta adversários com mandatos consolidados e altos índices de reconhecimento, como a senadora Eliziane Gama (PT) e o senador Weverton Rocha (PDT), que buscam a reeleição. Também concorrem nomes de peso como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), o ex-ministro André Fufuca (PP) e o ex-prefeito Lahesio Bonfim (Novo), que obteve expressiva votação ao governo em 2022.

O principal trunfo de Cidônio é a capilaridade política da família no sul do estado, região que historicamente elege candidatos proporcionais e majoritários. Em uma eleição proporcional para o Senado, onde os votos são contabilizados por candidato, uma base regional sólida pode fazer diferença — especialmente se a chapa de Roberto Rocha conseguir um desempenho competitivo na disputa pelo governo.

Por outro lado, o baixo tempo de televisão e a ausência de mandato anterior em cargo de projeção estadual ou nacional são fatores que jogam contra. Cidônio precisará do apoio efetivo da máquina partidária do PL e de uma campanha forte nas redes sociais e nos municípios do interior para viabilizar sua candidatura.

O que está em jogo

A eleição para o Senado em 2026 renovará duas das três cadeiras do Maranhão na casa legislativa. Atualmente, o estado é representado por Eliziane Gama (PT), Weverton Rocha (PDT) e Flávio Dino (PT/STF — afastado). Com a saída de Dino para o Supremo Tribunal Federal, a vaga foi ocupada temporariamente pelo suplente, mas a eleição de 2026 definirá os novos titulares para os próximos oito anos.

Para Cidônio Gonçalves, a candidatura representa não apenas uma disputa eleitoral, mas a consolidação do nome da família Gonçalves no cenário político estadual. Uma vitória o projetaria nacionalmente e fortaleceria o grupo familiar para as próximas disputas no Maranhão.

Acompanhe a série investigativa do O Ludovico sobre os candidatos ao Senado pelo Maranhão nas eleições 2026. Próximo candidato: César Pires (Novo).

O Ludovico — Informação a serviço da democracia

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