Fux suspende julgamento sobre investigação de Dino no MA
O ministro Luiz Fux pediu vista e suspendeu a análise da ação em que o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), contesta a investigação conduzida pelo ministro Flávio Dino sobre a escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA). O pedido interrompeu o julgamento no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) e travou a votação que já tinha maioria formada.
Antes da interrupção, o relator da ação, ministro Dias Toffoli, votou contra o pedido do governador. Ele foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Com isso, quatro ministros já rejeitavam a tese apresentada pela defesa de Brandão.
O que o governador pede ao STF
A defesa do governador sustenta que o caso deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e não no Supremo. Além disso, contesta a permanência de Flávio Dino na relatoria das apurações. O argumento se apoia em manifestação anterior da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se mostrou favorável à transferência da competência para o STJ.
Para o governo, a permanência de Dino no caso cria insegurança jurídica. Já os ministros que votaram com Toffoli entenderam que o Supremo é o foro adequado para julgar a matéria.
A origem da investigação
As apurações começaram após questionamentos sobre o processo de escolha de integrantes do TCE-MA. A investigação alcançou Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador e então presidente do tribunal. Também citou Flávio Costa, indicado para uma vaga na Corte de Contas e depois nomeado desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão.
O caso envolve supostamente irregularidades na composição do tribunal de contas. Como a apuração segue em curso, não existe conclusão sobre responsabilidades. O próprio STF já afastou Daniel Brandão da presidência do TCE-MA por 180 dias. Em outras ocasiões, o TCE-MA já condenou gestores a devolver recursos públicos.
Quem comanda o TCE-MA agora
Em agosto, o ex-deputado estadual Marcelo Tavares assumiu a presidência do TCE-MA após o afastamento de Daniel Brandão. Tavares foi nomeado conselheiro durante o governo de Flávio Dino no Maranhão. Também ocupou a chefia da Casa Civil nas gestões do atual ministro do STF.
Esse histórico é um dos pontos usados pela defesa do governador. A defesa alega que o relator teria relação direta com personagens citados no processo. Flávio Dino governou o Maranhão entre 2015 e 2022, antes de assumir o Ministério da Justiça e, depois, uma cadeira no Supremo.
Como funciona o instrumento em análise
A ação em julgamento é uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, a chamada ADPF. Esse tipo de processo serve para discutir atos do poder público que supostamente contrariam princípios da Constituição.
O julgamento ocorre no plenário virtual, formato em que os ministros registram os votos por escrito, sem sessão presencial. Nesse modelo, um pedido de vista suspende o caso até que o ministro devolva o processo para votação.
O que já se sabe sobre o afastamento no TCE
O afastamento de Daniel Brandão da presidência do TCE-MA foi determinado pelo próprio Supremo, pelo prazo de 180 dias. A decisão também proibiu o conselheiro de acessar os sistemas e as dependências do tribunal. Além disso, ele ficou impedido de participar das decisões do colegiado.
O julgamento no plenário virtual costuma durar alguns dias. Cada ministro registra o voto em um sistema próprio, sem sessão presencial. Um pedido de vista reinicia a contagem quando o processo volta à pauta.
Repercussão no cenário estadual
Nas pesquisas recentes, a disputa pelo governo do Maranhão aparece acirrada. Isso aumenta a atenção sobre qualquer decisão que envolva o grupo do governador. Portanto, o caso do TCE-MA ganha peso extra em pleno calendário eleitoral.
O que o pedido de vista muda
O pedido de vista não decide o mérito. Portanto, a discussão sobre a competência continua aberta. Fux passa a analisar o processo antes de devolver os autos ao plenário do Supremo.
A decisão de Fux não interrompe a investigação. O que fica suspenso é apenas o julgamento do recurso apresentado por Brandão. Assim, as apurações seguem sob relatoria de Dino enquanto o Supremo não retoma a votação.
O peso político do caso no Maranhão
O desfecho interessa diretamente ao xadrez político do estado. O Maranhão vive ano eleitoral, e o grupo do governador é peça central na disputa estadual. Como resultado, cada movimento do processo vira assunto nos bastidores.
Os tribunais de contas fiscalizam o uso do dinheiro público nos estados e municípios. No Maranhão, a Corte julga as contas do governo estadual e de centenas de prefeituras. Por isso, a disputa sobre quem relata o caso tem peso institucional.
O que esperar daqui para frente
A tendência é que a votação recomece quando Fux liberar os autos. Até lá, não há data definida para a retomada do julgamento. Brandão mantém o discurso de que o caso pertence ao STJ.
Enquanto o Supremo não se manifesta, o caso do TCE-MA segue no centro do noticiário político do estado. Novos capítulos devem surgir a cada devolutiva do processo.
Com informações do Portal O Informante.
O Ludovico



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