Câmara de São Luís: R$ 807 mil em gastos com combustível
Um levantamento feito a partir da prestação de contas da Câmara Municipal de São Luís identificou R$ 807.135,14 em gastos com combustíveis declarados por 18 vereadores ao longo de 2025. Os valores foram apresentados para ressarcimento pela Verba Indenizatória do Exercício Parlamentar, a VIEP.
O total equivale a cerca de 134 mil litros de gasolina, considerando o preço médio de R$ 6 por litro. Em média, cada um dos 18 parlamentares declarou quase R$ 45 mil em abastecimento no período de um ano.
Como os gastos com combustíveis aparecem na prestação de contas
A lista é liderada pela vereadora Concita Pinto, com R$ 74.858,96. Uma nota fiscal de janeiro registra a compra de 1.238 litros de gasolina, por R$ 7.048, no posto Pit Stop, no bairro do Anil.
Em fevereiro, outro documento do mesmo estabelecimento aponta cerca de 1.209 litros, por R$ 7.120. Os dois registros sozinhos somam mais de 2,4 mil litros de combustível em apenas dois meses.
O volume chama atenção quando comparado ao deslocamento médio de um motorista de aplicativo ou de um trabalhador comum. A VIEP existe para custear o exercício do mandato, e o abastecimento é apenas um dos itens que podem ser lançados na verba.
Quem mais declarou abastecimento
Na sequência da lista aparecem Nato Júnior, com R$ 74.715,78, e Edson Gaguinho, com R$ 71.640,87. Antônio Garcez declarou R$ 67.192,93.
Rosana da Saúde registrou R$ 59.703,78. Douglas Pinto aparece com R$ 37.138,64 entre janeiro e novembro. Os demais vereadores do grupo completam o total de R$ 807 mil.
Os números foram extraídos dos documentos enviados pelos próprios gabinetes. Não há, até agora, apontamento de irregularidade formal sobre as notas apresentadas, o que não impede a discussão sobre o tamanho do gasto.
O caso lembra outras situações de controle de verbas públicas no estado. Em Rosário, o TCE mandou o presidente da Câmara devolver R$ 2 milhões após análise de despesas do Legislativo municipal.
O que a verba indenizatória permite
A VIEP é o mecanismo usado pelas câmaras municipais para ressarcir despesas ligadas ao mandato, como deslocamento, material de escritório e serviços de apoio. O uso do dinheiro depende de comprovação por nota fiscal.
Em São Luís, a prestação de contas fica disponível para consulta pública. O acompanhamento desses dados permite comparar o padrão de gastos entre gabinetes e identificar distorções.
O volume de combustível declarado em um ano abre espaço para perguntas simples. Quantos quilômetros cada gabinete roda por mês? Os veículos são próprios ou locados? As respostas estão na papelada que cada vereador entrega ao fim do exercício.
O debate que segue na Câmara
O tema costuma voltar à pauta quando a Casa discute o próprio orçamento. Em outubro, a Câmara aprovou o fim de um setor de fiscalização da Controladoria Geral do Município, decisão que gerou críticas de entidades de controle.
Para o eleitor, o caminho mais curto continua sendo a consulta aos portais de transparência. Comparar o declarado com o efetivamente rodado é a forma mais direta de cobrar explicação.
Com informações do Blog Segunda Opinião. Foto: Reprodução / Câmara Municipal de São Luís.
O Ludovico



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