Lagoa da Jansen: esgoto clandestino explica mau cheiro
A Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informou nesta quarta-feira (4) que o mau cheiro e a poluição na Lagoa da Jansen, em São Luís, vêm de ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem pluvial e do descarte irregular de efluentes. A explicação foi divulgada depois de uma onda de reclamações de moradores, comerciantes e visitantes sobre o forte odor na região.
Um dos principais cartões-postais da capital, a lagoa virou motivo de incômodo para quem trabalha e circula por ali. O problema tem afastado visitantes e prejudicado o comércio no entorno, segundo relatos ouvidos pela imprensa local.
O que a Caema diz sobre a Lagoa da Jansen
A companhia afirma que o sistema de esgotamento sanitário sob sua responsabilidade funciona normalmente. O esgoto coletado na área segue para as Estações de Tratamento de Esgoto (ETE Jaracaty e ETE Vinhais). Segundo a empresa, não há pontos de despejo direto na lagoa operados por ela.
Ainda de acordo com a Caema, mais de 100 pontos de lançamento de esgoto já foram eliminados na Lagoa da Jansen por meio de intervenções técnicas. As ações retiraram volumes significativos de esgoto que chegavam ao local, diz a companhia.
Acúmulo de matéria orgânica e gás sulfídrico
A lagoa é uma laguna costeira urbana com características de manguezal. A expansão da cidade, os aterros e a construção de avenidas reduziram a comunicação natural com o mar e o rio, o que dificulta a renovação da água e a dispersão dos poluentes.
Em entrevista à TV Mirante, o oceanógrafo Leonardo Soares explicou que décadas de lançamento de esgoto provocaram acúmulo de sedimentos e matéria orgânica. Nos meses de ventos mais intensos, parte desse material é movimentada e libera gases. Quando a decomposição ocorre sem oxigênio, surge o gás sulfídrico, responsável pelo odor parecido com o de ovo podre.
Para o especialista, a primeira medida é interromper o lançamento de esgoto e encaminhar os resíduos para tratamento. Ele afirma que a identificação de ligações clandestinas, a criação de rede de captação, o uso de biorremediação e a atuação conjunta dos governos federal, estadual e municipal são caminhos necessários.
Microplásticos, siris mortos e pressão da comunidade
Os transtornos não se limitam ao mau cheiro. Pesquisa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) identificou contaminação por microplásticos em peixes da lagoa. Em outro episódio recente, mais de 20 siris foram encontrados mortos no local.
Diante do cenário, moradores e empresários criaram o grupo Amigos da Lagoa da Jansen para cobrar do poder público ações de recuperação. O movimento afirma que o abandono da área compromete a biodiversidade, o turismo e a economia da capital. O tema também já motivou cobranças por obras de saneamento no Maranhão.
Com informações do g1 Maranhão e do John Cutrim.
Foto: Reprodução/TV Mirante
O Ludovico



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