‘Malês’, de Antônio Pitanga, é vencedor do 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris
‘Malês’, de Antônio Pitanga, é o grande vencedor do 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris
O 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris encerrou-se hoje, terça-feira, 14, consagrando “Malês”, dirigido por Antônio Pitanga, como o vencedor do Troféu Jangada de Melhor Filme (eleito pelo público). O Prêmio do Júri Jovem, concedido pelos estudantes parisienses que participaram das sessões escolares, foi para “Tudo que Aprendemos Juntos”, dirigido por Sérgio Machado. Realizado pela Jangada, com curadoria de Katia Adler, no cinema tradicional L’Arlequin, em Saint-Germain-des-Prés, o evento exibiu mais de 30 longas-metragens ao longo de oito dias e atraiu um público de 7.751 pessoas, um aumento de mais de 10% em relação a 2025.
Lançado no Brasil no ano passado, “Malês” marca o retorno de Antônio Pitanga à direção após 46 anos de seu primeiro longa, “Na Boca do Mundo” (1978). Filmado em Cachoeira e Salvador, na Bahia, e em Maricá, no Rio de Janeiro, o filme produzido por Flavio R. Tambellini aborda a Revolta dos Malês, o maior levante de pessoas escravizadas na história do Brasil, ocorrido em Salvador em 1835. A narrativa explora as condições de vida da população negra no século XIX e a luta contra o racismo, a pobreza e a intolerância religiosa.
No elenco, estão Rocco e Camila Pitanga, Bukassa Kabengele, Samira Carvalho, Rodrigo de Odé, Heraldo de Deus, Wilson Rabelo, Edvana Carvalho, Indira Nascimento, Thiago Justino e Patrícia Pillar, além do próprio diretor. O roteiro é de Manuela Dias e a direção de fotografia de Pedro Farkas. A produção é da Tambellini Filmes em colaboração com Globo Filmes, Obá Cacauê Produções, Gangazumba Produções e RioFilme, com distribuição pela Imovision.
Antônio Pitanga declara: “Esse filme é um marco histórico. Não temos no Brasil o costume de filmar eventos históricos como ocorre em outros países, então este é o caminho a seguir”. Ele destaca a importância de “Malês” ao oferecer uma visão diferente, não presente nos livros de história tradicionais, sobre os malês e sua história pouco conhecida.
“Acredito que este filme seja muito representativo nos dias atuais, pois aborda o ponto de vista africano, fugindo do convencional. É um filme sobre a negritude, mas que também se destina a todos que desejam conhecer a história do Brasil”, ressalta Pitanga.
Festival de Cinema Brasileiro de Paris
A competição contou com outros sete longas de ficção disputando o Troféu Jangada de Melhor Filme: “Velhos Bandidos”, de Cláudio Torres, com Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta, Bruna Marquezine e Lázaro Ramos; “Perto do Sol é Mais Claro”, de Régis Faria; “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini, vencedor do Kikito de Melhor Filme no Festival de Cinema de Gramado de 2025; “#SalveRosa”, de Susanna Lira; “Precisamos Falar”, de Rebeca Diniz e Pedro Waddington; “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte; e “Câncer com Ascendente em Virgem”, de Rosane Svartman.
Prêmio do Júri Jovem
Vencedor do Prêmio do Júri Jovem, “Tudo que Aprendemos Juntos”, dirigido em 2015 por Sérgio Machado, narra a história de Laerte, um violinista interpretado por Lázaro Ramos (homenageado nesta edição), que passa a ministrar aulas de música na comunidade de Heliópolis, em São Paulo, após ser rejeitado em uma audição para a Osesp. Inspirado na criação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, o filme explora a relação entre educação, transformação social e acesso à cultura a partir da experiência do protagonista com seus alunos. O longa é uma produção da Gullane em parceria com a Fox Internacional Productions.
Troféu Jangada
O Troféu Jangada, ícone do festival entregue às obras premiadas e aos homenageados, é criado pelo escultor e pintor Jaildo Marinho, natural de Santa Maria da Boa Vista, no sertão de Pernambuco, e residente em Paris há mais de trinta anos.
O 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris contou com a presença de realizadores e convidados ao longo da programação, incluindo debates após as exibições. Destaques foram Fernanda Abreu e Paulo Severo em “Da Lata – 30 Anos”; Júlio Uchoa em “Querido Mundo”; Saullo Farias Vasconcelos e Victor Magrath em “Oní Sáà Wúre – Lavagem da Sapucaí”; Clélia Bessa, Rosane Svartman e Fabiana Karla em “Câncer com Ascendente em Virgem”; José Eduardo Belmonte e Christian Malheiros em “Assalto à Brasileira”; Pedro Dumans em “Rei da Noite”; Moisés Mattos em “3 Atos de Moisés”; Bruno Bini em “Cinco Tipos de Medo”; Leonardo M. Barros em “Velhos Bandidos”; Diogo Dahl e Maria Fernanda Miguel em “Para Vigo Me Voy!”; Antônio Pitanga em “Malês”; Karen Harley em “Ritas”; Régis Faria e Reginaldo Faria em “Perto do Sol é Mais Claro”; Susanna Lira e Mara Melo em “#SalveRosa”; Emílio de Mello e Leonardo M. Barros em “Precisamos Falar”; Liliane Mutti e Alaíde Costa em “A Noite de Alaíde”; e Sérgio Machado em “3 Obás de Xangô”.
Em 12 de abril, a edição prestou grandes homenagens. Lázaro Ramos recebeu, em nome dele e de Taís Araujo, o prêmio dedicado aos homenageados da edição, numa cerimônia conduzida pela atriz e diretora franco-senegalesa Aïssa Maïga. O Tributo a Paulo Gustavo contou com a presença de Thales Bretas, viúvo do ator, e de Ingrid Guimarães, com a exibição de “Minha Mãe é uma Peça 3” e uma apresentação de “Minha Melhor Amiga”, nova comédia estrelada por Ingrid e Mônica Martelli.
Curadora
O crescimento desta edição foi ressaltado pela diretora e curadora do festival, Katia Adler, que destacou a importância de apoiar iniciativas como essa no exterior, fortalecendo a imagem do país e abrindo caminhos para o cinema brasileiro internacionalmente.


