Bolsonarismo cresce no MA e tem 2º maior avanço do Nordeste
O bolsonarismo cresce no MA e ocupa o segundo maior avanço do Nordeste na votação para presidente, na comparação entre o primeiro turno de 2022 e o de 2026. Segundo os dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro alcançou 30,90% dos votos válidos no estado, contra os 26,02% obtidos por Jair Bolsonaro na eleição anterior.
Na prática, o crescimento no Maranhão foi de 4,88 pontos percentuais. O estado ficou atrás apenas do Ceará, onde a votação bolsonarista saltou de 25,38% para 31,27%, uma alta de 5,89 pontos. Ao todo, Flávio recebeu 1.239.040 votos no Maranhão.
O avanço maranhense representa um crescimento relativo de cerca de 18,8% na participação nos votos válidos. O movimento acompanha uma tendência que apareceu em todos os estados do Nordeste e mudou o desenho da disputa na região.
Bolsonarismo cresce no MA e muda o mapa eleitoral do Nordeste
O resultado maranhense chama atenção porque o estado sempre foi um dos redutos mais sólidos do campo progressista no Nordeste. Ainda assim, o crescimento da votação bolsonarista mostra que esse domínio perdeu parte da força que tinha em 2022.
Um dado reforça a leitura: Flávio superou o desempenho obtido pelo pai em 2022 nos nove estados nordestinos. Ou seja, a votação ligada ao bolsonarismo cresceu em toda a região, ainda que em ritmos diferentes.
Ceará lidera o avanço; veja os estados
O Ceará liderou o avanço regional em pontos percentuais. A votação passou de 25,38% para 31,27%. Em seguida aparece o Maranhão, com alta de 4,88 pontos, de 26,02% para 30,90%.
Alagoas registrou aumento de 4,40 pontos, ao passar de 36,05% para 40,45%. Na Bahia, o avanço foi de 4,22 pontos, de 24,31% para 28,53%. No Piauí, o crescimento foi de 4,19 pontos, de 19,90% para 24,09%.
Também houve avanço no Rio Grande do Norte, de 31,02% para 34,77%, uma diferença de 3,75 pontos. Na Paraíba, a votação subiu de 29,62% para 33,07%, alta de 3,45 pontos. Em Sergipe, o crescimento foi de 1,47 ponto, de 29,16% para 30,63%. Em Pernambuco, o aumento ficou em 1,12 ponto, de 29,91% para 31,03%.
Lula mantém liderança, mas perde votos em todo o Nordeste
Apesar do avanço bolsonarista, Lula, do PT, continuou à frente nos nove estados da região. No Maranhão, o presidente recebeu 63,99% dos votos válidos em 2026, contra 68,84% em 2022.
A queda no estado foi de aproximadamente 4,85 pontos percentuais, a maior do Nordeste. O percentual de Lula também recuou nos outros oito estados, mesmo com a liderança mantida em todos eles.
Na Bahia, o petista passou de 69,73% para 66,17%. No Piauí, de 74,25% para 70,99%. No Rio Grande do Norte, a votação caiu de 62,98% para 59,75%. Na Paraíba, recuou de 64,21% para 61,31%, e no Ceará, de 65,91% para 63,29%.
Em Pernambuco, Lula caiu de 65,27% para 63,45%. Em Alagoas, de 56,50% para 54,73%. Em Sergipe, a variação foi menor, de 63,82% para 62,75%.
Nordeste, abstenção e a leitura do primeiro turno
O avanço da votação bolsonarista no Nordeste veio junto com outro fenômeno registrado no primeiro turno. No Maranhão, mais de 1 milhão de eleitores deixaram de votar, número que reforça o peso da abstenção sobre o resultado final.
Esse dado ajuda a entender por que os percentuais mudaram tanto entre 2022 e 2026. Parte da variação não vem apenas de migração de voto, mas também de quem deixou de comparecer às urnas em cada estado.
O cenário nacional repete a tendência regional. Em várias unidades da federação, aliados históricos de Lula foram derrotados nas urnas, o que obrigou o campo progressista a refazer contas para a etapa seguinte da eleição.
O peso do Maranhão na reta final
Para o segundo turno, o Maranhão entra como peça relevante do tabuleiro nordestino. O estado tem um dos maiores colégios eleitorais da região e, historicamente, concentra votos decisivos para o campo progressista.
A queda de quase cinco pontos em relação a 2022, somada ao crescimento de Flávio Bolsonaro, indica que a disputa no estado está menos confortável para os dois lados. Por isso, as campanhas devem voltar as atenções para o interior, onde estão as maiores diferenças de votação.
O resultado do primeiro turno também reacende o debate sobre o voto útil. Com Lula à frente em todos os estados do Nordeste, mas com margens menores, a etapa final tende a concentrar esforços em regiões onde a diferença é mais apertada.
O que o resultado diz sobre o 2º turno
A leitura conjunta dos números indica um cenário de dois movimentos ao mesmo tempo. O campo progressista segue majoritário no Nordeste, mas perdeu terreno em relação a 2022, enquanto a votação bolsonarista ganhou espaço em todos os estados.
Esse quadro coloca o Nordeste no centro da disputa do segundo turno. O desempenho no Maranhão, com queda de Lula e avanço de Flávio, serve de termômetro para o restante do país, que volta às urnas no fim deste mês.
A tendência exige atenção das campanhas. Cada ponto perdido pelo campo progressista na região precisa ser compensado em outros estados, enquanto a direita tenta transformar o crescimento em votos efetivos na etapa final. No Maranhão, onde o governador eleito Eduardo Braide já anunciou neutralidade na disputa presidencial, o tabuleiro local continua indefinido.
Com informações de Linhares Jr e Gilberto Léda.
O acompanhamento da queda de braço entre Camarão e o PT no Maranhão ajuda a entender como o campo de Lula se organiza para o segundo turno no estado.
O dado foi divulgado por Linhares Jr, com base na apuração do TSE.
O Ludovico



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