Casa de R$ 3 milhões na Flórida é de empresa de Paulo Victor
Uma casa comprada por US$ 550 mil, o equivalente a mais de R$ 3 milhões na cotação atual, está registrada no nome de uma empresa dirigida pelo presidente da Câmara Municipal de São Luís, Paulo Victor (PSB), e por sua esposa, Stefanny Mayara Matos Duarte. A residência fica em Kissimmee, na Flórida, e tem seis quartos, piscina e spa.
A empresa que comprou o imóvel foi aberta na Flórida exatamente um mês antes da aquisição registrada no cadastro oficial do Condado de Osceola. O levantamento é do site Folha do Maranhão, divulgado na sexta-feira 7.
O assunto chega em meio a uma série de reportagens sobre os gastos e os fornecedores da Câmara de São Luís, que já provocou pedidos de afastamento do vereador.
Casa de R$ 3 milhões na Flórida: o que diz o registro
O imóvel fica na 8897 Rhodes Street, dentro do condomínio Windsor at Westside, em Kissimmee. A casa tem seis quartos, quatro banheiros completos, um lavabo, piscina e spa, além de aproximadamente 292 metros quadrados de área interna climatizada.
Ela foi construída em 2016. Segundo o cadastro de imóveis do Condado de Osceola, a compra ocorreu em 19 de março de 2026 pelo valor de US$ 550 mil. O documento aponta a Maximus Premium Group Corp como compradora e atual proprietária.
A avaliação fiscal de mercado para 2026 é de US$ 515.100, abaixo do preço registrado na transação.
Quem são os donos da Maximus Premium Group Corp
A empresa é uma Domestic Profit Corporation, o equivalente a uma sociedade empresarial de capital fechado. O registro na Divisão de Corporações da Flórida tem o número P26000010415 e a data de 19 de fevereiro de 2026. A companhia consta como ativa.
Dois nomes aparecem como dirigentes. Stefanny Mayara Matos Duarte é presidente e agente registrada, função que responde legalmente pela empresa no estado. Paulo Victor Melo Duarte ocupa a vice-presidência.
Não há um terceiro sócio, administrador ou diretor no registro estadual da Flórida. A empresa é, formalmente, do casal. Os documentos não informam o capital social nem a origem dos recursos usados na compra.
O endereço principal e o de correspondência da companhia são o mesmo: 2015 Majorca Dr, em Four Corners, na área de Kissimmee onde fica o condomínio da casa adquirida poucas semanas depois.
O nome escolhido para a empresa repete o primeiro nome do filho do casal, Máximus, como registraram reportagens locais sobre a posse dele na presidência da Câmara, em 2023.
Um mês entre abrir a empresa e comprar o imóvel
A sequência de datas é o ponto central da reportagem. A Maximus Premium Group Corp foi constituída em 19 de fevereiro de 2026. A casa em Kissimmee foi comprada em 19 de março, vinte e oito dias depois.
Operar com uma pessoa jurídica é comum na Flórida e não é, por si, irregular. O que a reportagem levanta é a origem dos recursos e a ausência da casa nas declarações patrimoniais exigidas no Brasil.
O que Paulo Victor declarou à Justiça Eleitoral
Na eleição de 2024, Paulo Victor declarou ao Tribunal Superior Eleitoral um patrimônio de R$ 2.032.424,01. A lista tem cinco itens: uma casa em São Luís avaliada em R$ 1.509.000,00, com financiamento da Caixa Econômica Federal ainda não quitado; um terreno em Mirinzal, no interior do Maranhão, de R$ 360.000,00; uma motocicleta BMW 2022/2023 de R$ 93.543,50; uma poupança no Bradesco de R$ 57.821,95; e R$ 12.058,56 em conta corrente no Nubank.
Nenhum imóvel fora do Brasil consta na relação. A compra em Kissimmee ocorreu quase dois anos depois dessa declaração, e vereadores só atualizam a lista de bens quando disputam uma eleição.
O salto patrimonial dele já era tema de apuração. Em 2016, ele havia declarado R$ 15 mil. Em 2020, R$ 103.060,00. O crescimento chegou a 13.449% em oito anos, sempre segundo os dados do DivulgaCand, do TSE.
Sobre os rendimentos, um vereador de São Luís recebe R$ 15.031,76 brutos. Como presidente da Câmara, Paulo Victor tem salário bruto de R$ 30.063,52, com cerca de R$ 22 mil líquidos. A soma de tudo o que ele recebeu entre 2021 e 2024 chega a R$ 706.541,00, conforme o mesmo levantamento.
A série que colocou a Câmara no centro da apuração
A casa na Flórida é o capítulo mais recente de uma sequência de matérias sobre a gestão da Câmara de São Luís. Em 5 de novembro, a Folha do Maranhão mostrou que Paulo Victor pediu R$ 87.650 em reembolsos usando comprovantes de três empresas com o mesmo endereço na capital.
No dia seguinte, outra reportagem apontou fornecedores do presidente que repetem endereços e contatos nas notas fiscais. Em 7 de novembro, veio a informação de que a Câmara pagou verba indenizatória a três vereadores antes da emissão das notas fiscais.
Os gastos com combustível também entraram na conta. Vereadores declaram até R$ 7,7 mil por mês, e os pedidos somam R$ 807 mil ao ano, como mostrou o blog em reportagem sobre os gastos da Câmara com combustível.
Antes disso, em agosto, o Tribunal de Contas do Estado determinou auditoria de 30 dias na gestão dele. O Gaeco pediu ao TCE os documentos de um contrato de eventos com aditivo de R$ 1,28 milhão. Em setembro, a Justiça suspendeu a eleição antecipada da Mesa Diretora.
Em 31 de outubro, o vereador Douglas Pinto pediu o afastamento imediato de Paulo Victor da presidência. A cobrança voltou em novembro, com a denúncia de atraso no pagamento de servidores, irregularidades no repasse ao INSS e falta de transparência, como registrado em reportagem sobre o pedido de afastamento na Câmara.
O outro lado
A Folha do Maranhão informou que não conseguiu contato com o vereador para comentar a compra do imóvel. O Ludovico também não localizou manifestação pública de Paulo Victor sobre o caso até a publicação desta matéria.
O espaço segue aberto para a resposta dele e para a apresentação de qualquer documento que explique a origem dos recursos usados na aquisição. Se houver manifestação, este texto será atualizado.
Investigações anteriores do Ministério Público do Maranhão contra o vereador foram trancadas pela Justiça em 2023 e seguem suspensas por decisão do Superior Tribunal de Justiça.
Com informações da Folha do Maranhão e do registro da Flórida (Sunbiz). Foto: Reprodução / Folha do Maranhão.
O Ludovico



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