Oposição na Assembleia: quem pode incomodar Braide
O governador eleito Eduardo Braide (PSD) assume o Palácio dos Leões em 1º de janeiro com 2,104 milhões de votos e, ao menos no primeiro momento, sem uma oposição na Assembleia Legislativa do Maranhão capaz de criar embaraço real ao seu governo. A avaliação é do jornalista Raimundo Borges, que analisou a nova composição da Alema depois do pleito de 4 de outubro.
A situação difere dos seis anos e três meses em que Braide governou São Luís como prefeito. Na Câmara Municipal, a bancada governista nunca passou de cinco ou seis cadeiras entre os 33 vereadores. Na Assembleia, diz Borges, não aparece de imediato ninguém com perfil de atuação à esquerda ou à direita para incomodar o governo braidista, tratado como de centro.
Além disso, fatores estruturais dificultam a formação de um bloco oposicionista forte logo no início do mandato. Entenda abaixo o que sustenta esse quadro e quais nomes podem, supostamente, demarcar posição nos próximos meses.
Por que a oposição na Assembleia nasce fraca
A Alema passou por uma renovação de 59,5% nas eleições deste ano. O número indica uma bancada grande de novatos, que precisa primeiro conhecer a máquina da política estadual. Braide fez carreira justamente nesse terreno, como deputado estadual, deputado federal, secretário de Estado, presidente da Caema e prefeito de São Luís por dois mandatos.
Como resultado, a curva de aprendizado pesa contra uma oposição imediata. Portanto, a tendência inicial é de acomodação, com os novos deputados observando o governo antes de se posicionar de forma firme e organizada.
MDB e PT na mira do novo governo
O PSD do governador eleito conta com apenas quatro deputados estaduais. O MDB de Orleans Brandão, por outro lado, elegeu 17 representantes. No entanto, segundo a análise, a maioria dos reeleitos tem fácil entendimento com o Palácio dos Leões.
O PT, que elegeu Criciele Muniz e Luanna Rezende, pode querer demarcar posição na Assembleia. Contudo, o partido vive um racha interno no Maranhão. A direção nacional ignorou a crise estadual e deixou Felipe Camarão isolado depois da derrota eleitoral. O blog já mostrou como esse isolamento expôs a divisão do PT maranhense.
Outro nome citado é Maedja Campos, do PDT, campeã de votos e lembrada na imprensa nacional como uma das mulheres progressistas do novo mandato. Porém, como esposa do prefeito Fred Campos, de Paço do Lumiar, ela tende a preservar uma relação institucional com o governador.
Pente-fino nas contas pode esquentar o plenário
O principal ponto de atrito pode vir das contas estaduais. Em entrevista à TV Jovem Pan News, Braide anunciou um pente-fino nas finanças do Estado e pediu à Controladoria-Geral auditoria sobre o empréstimo de R$ 1,3 bilhão feito ao governo e repassado no meio da campanha eleitoral.
“Vou querer saber como e onde foi gasto esse dinheiro que pertence ao povo maranhense”, afirmou o governador eleito. A medida tem potencial para encrespar a bancada do MDB, presidido no Maranhão por Orleans Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão.
Além disso, a votação recorde de 2,104 milhões de votos serve como argumento de respaldo popular para Braide cobrar da Assembleia a aprovação das promessas de campanha. Dessa forma, o novo governador começa o mandato com força para negociar e pedir urgência nas votações de interesse do Executivo.
Quem pode fazer contraponto no plenário
A safra eleita reúne nomes de perfis distintos. O MDB, maior bancada, com 17 cadeiras, tem peso para negociar cargos e emendas. Já o PT e o PDT, com quadros mais ideológicos, podem tentar marcar posição em pautas de direitos e de controle do gasto público.
No entanto, a força de cada grupo depende menos do discurso e mais da capacidade de articular maioria. Sem esse arranjo, um bloco pequeno dificilmente sustenta oposição por muito tempo.
Vale lembrar que a Assembleia tem 42 deputados estaduais. Para criar obstáculo real ao Palácio dos Leões, seria preciso reunir bancadas coesas, algo que não se desenha neste começo de legislatura.
O que esperar daqui para frente
Na gestão de Carlos Brandão, nenhum dos deputados que fizeram a oposição mais dura ao Palácio dos Leões conseguiu se eleger. Othelino Neto perdeu a disputa para a Câmara Federal, assim como Rodrigo Lago (PCdoB) e Carlos Lula (PSB) ficaram fora da Assembleia. O deputado Yglésio Moises, um dos que brigavam no plenário, também não se elegeu.
Assim, o quadro aponta para um início de mandato com pouca resistência organizada. O cenário pode mudar conforme o governo avançar sobre as contas do Estado e sobre os interesses de cada bancada. A disputa pelo comando da Assembleia, que já mobiliza nomes como o de Dino, tende a ser o primeiro teste real desse equilíbrio.
Se o governo conseguir manter a base unida, a oposição tende a atuar mais por discurso do que por voto. O teste vem nas primeiras votações de peso, quando o plenário mede forças de verdade e cada bancada revela seu alinhamento.
Com informações de Raimundo Borges / O Imparcial.
O Ludovico



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